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quinta-feira, maio 20, 2010

Paraísos Ecológicos: Parque Florestal Estadual do Turvo

Santuário que esconde a onça e a anta




O Rio Grande do Sul é um dos estados onde ocorreu a maior devastação das matas nativas, em todo o país. Praticamente não existem mais florestas virgens no Estado. Mas, se existir alguma área, ela certamente se localizará no Parque Florestal Estadual do Turvo, no município de Derrubadas. Trata-se de um dos mais importantes paraísos ecológicos gaúchos, último reduto de animais raros como a onça pintada e a anta (veja, na foto acima, uma onça na principal via de acesso ao Salto do Yucumã (veja fotos), no que poderíamos considerar o fundo do parque, na fronteira com a Argentina).

Nesse parque, com 17.491,40 hectares, estão algumas das matas mais altas do Estado, com árvores de até 30 a 40 metros, últimos exemplares da densa floresta do Alto Uruguai, uma formação com características semelhantes às do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.

São muito comuns espécies de grande porte como a grápia, canafístula, cedro e angico, entre outras que se encontram num equilíbrio quase perfeito com a vegetação secundária e rasteira.

Essa mata é uma das mais ricas em espécies vegetais, tendo sido contadas 727 num levantamento de pesquisadores do Departamento de Botânica da UFRGS. Falta agora complementar estudos acerca da interdependência que há entre elas, para que possa se saber como é que opera um ecossistema desse porte.

Recursos internacionais apoiaram estudos

Informações importantes surgiram de um estudo conduzido pelo Departamento de Recursos Naturais Renováveis da Secretaria de Agricultura do Estado. Em apenas um hectare foram encontradas 88 espécies florestais, entre árvores e arbustos, com 566 "indivíduos arbóreos", segundo a definição dos técnicos.

Outro estudo importante realizado nos últimos anos no Parque Estadual do Turvo contou com o apoio da World Wildlife Fundation, dos Estados Unidos, e apresentou informações importantes acerca da cadeia alimentar dos animais. De acordo com o que se verificou, de um modo geral os animais mais apreciados pelas onças são vegetarianos. É o caso da cutia, que come frutos e raízes; da capivara, que se alimenta da grama boiadeira e de outros vegetais aquáticos; do veado, que come plantas diversas; e do porco-do-mato, que come tudo o que cai no chão, de larvas a sementes e frutos.

Embora seja uma floresta densa, no Turvo também existem os chamados campestres, banhados, lagoas (são cerca de 15) e, nos três quilômetros de rio Uruguai na divisa com Santa Catarina (o parque fica no extremo noroeste do Rio Grande, abrangendo áreas da divisa com Santa Catarina e da fronteira com a Argentina) e nos outros 42 quilômetros da fronteira com a Argentina, há até mesmo cinco corredeiras.

Dentro do Parque, o Salto do Yucumã – que em língua indígena significa Grande Roncador – é o maior salto longitudinal do mundo, com 1,8 quilômetro de extensão. O canal, no leito do rio, possui uma largura máxima de 30 metros e uma profundidade de 120 metros. A queda chega a ter 12 metros de altura nos períodos em que não há cheia no rio. Apesar de estar em solo argentino, são os brasileiros que têm o melhor ângulo para contemplar as quedas d’água. Entretanto, passeios de bote pelo leito do rio saem apenas do país vizinho. Os banhistas devem procurar a parte mais larga e rasa do rio, pois junto às quedas a correnteza é forte e perigosa.
Primeiro parque do Estado

O Parque Florestal Estadual do Turvo é administrado pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul. Foi o primeiro parque criado no Rio Grande do Sul, em março de 1947, e também está entre os mais estudados por diversas universidades do Estado.

O jaguar, chamado na região de onça e até de pantera, é um de seus personagens mais raros. Alimenta-se de animais menores, mudando-os de acordo com a sua ocorrência. Quando um escasseia, passa a predar o outro. Gosta muito do porco do mato, mas também tem uma certa preferência pelo tapeti, parecido com uma lebre.

Num Estado onde restaram muito poucas matas, parece impossível que tenham sobrado jaguares, livres para caçarem seus porcos do mato ou tapetis, mas ainda ficaram alguns exemplares, talvez até dez ou um pouco mais, protegidos graças à vasta área do parque.

Com a suçuarana (um puma) e a anta, esses jaguares (foto no alto da página) detêm uma marca lamentada pelos defensores do meio ambiente: não existem em nenhum outro lugar do Estado, na quantidade necessária para assegurar-se a sua preservação.

Capivaras, veados de diversas classificações, lontras, gatos do mato, jaguatiricas, graxains, bugios, entre outros animais, estão entre os mamíferos, enquanto alguns tipos de tucanos, periquitos, macucos, o urubu-rei, a jacutinga, a arara maracanã, destacam-se entre as aves.






 

segunda-feira, março 29, 2010

Paraísos Ecológicos: Estação Ecológica de Aracuri

Onde dormem os papagaios

Eles são ariscos, barulhentos, gostam das copas das árvores, mais precisamente do pinheiro araucária, cujo pinhão é seu alimento predileto. Como não estão domesticados, não repetem nomes e palavrões com a facilidade que outras aves de sua espécie exibem quando aprisionadas e levadas para a diversão de crianças, nas cidades. Os cientistas chamam-lhes amazonas petrei, mas todas as pessoas os conhecem como papagios, dos gêneros charão e do peito-roxo, os mais comuns.

Embora dividam o espaço com pouco mais de cem espécies de outras aves, entre as quais algumas viajantes de longas distâncias, como o gavião papa-gafanhoto, que vem dos Estados Unidos para passar a primavera e o verão em nossas matas, esses papagaios são os ocupantes mais famosos (embora cada vez mais raros) da Estação Ecológica de Aracuri, no município de Muitos Capões, a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre.

Criada em 1981, com 277 hectares, essa é uma das estações menos problemáticas no complexo administrado no Estado pelo Governo Federal. Não existem invasores, a população das redondezas não gosta de caçar e se sensibiliza com a necessidade de preservar a área.

Os papagaios, lembram os vizinhos, sempre preferiram os capões de pinheiro araucária existentes na atual estação. Com isso, a área tornou-se um "dormitório" importante para os papagaios. Mas, antes de dormir eles aproveitam o que é um dos destaques da reserva e dos capões de toda a região, os pinhões que as gralhas azuis -- vistas em grande quantidade por ali -- não conseguirem esconder enterrados.

Ao contrário das gralhas, ocupantes habituais e permanentes dos pinheiros, os papagaios somente chegam entre as 17h30 e 18 horas, deixando o local novamente entre as 5h30 e seis horas, sempre com a mesma rotina: chegam e saem em pequenos bandos, mas não descem para as árvores e nem se dispersam pela região, enquanto todos não estiverem reunidos.

Ao chegarem à área da estação, ficam sobrevoando a mata até que todos os bandos tenham se apresentado. Eles preferem as proximidades do chamado pinheiro vovô, com 36 metros de altura e já sem folhas devido aos seus mais de quinhentos anos de idade.

O primeiro semestre é a época de papagaios na Estação Ecológica de Aracuri, que se enche de ruídos nos entardeceres e amanheceres. Os bandos, em épocas de maior concentração, chegam a escurecer o céu. Eles começam a chegar em janeiro e fevereiro, atingindo o auge, em termos de número de animais, em março. Ficam até junho, época do pinhão, que comem com grande presteza: furam o fruto com o bico e comem tudo, enquanto aguentarem. As sobras que caem no chão são repartidas entre os outros animais: capivaras, pacas, cotias, veados do mato, entre outros, que não conseguem alcançar as copas e não têm a presteza de descobrir os esconderijos das gralhas, que nem as próprias localizam -- é por isto que esta ave, de um azulado muito bonito, é conhecida como a mais eficiente "plantadeira" de araucária.

Contagem científica dos papagios do Aracuri feita por pesquisadores nos últimos anos mostra que eles são entre nove e dez mil. A maior parte é de papagaios-charão, aquele em que se destaca o verde e que tem fama de "falador" nas residências em que é aprisionado.

Uma questão que intriga os pesquisadores é o destino e o local de procriação dos papagaios. Existem apenas algumas teorias. A mais aceita é a de que, após junho e, mesmo, julho, os papagaios se dispersam pelas zonas de mata do Planalto Médio, Depressão Central, Serra do Sudeste, Aparados da Serra e Vale do Ibicuí. Na primavera, nidificam preferencialmente na área compreendida entre Encruzilhada do Sul, Santana da Boa Vista, Caçapava do Sul e Lavras. Até dezembro todos os filhotes já estão em condições de voar e, por essa época, se misturam nos bandos de uma forma em que, naturalmente, se faz uma miscigenação. Depois, na época do pinhão, distribuem-se pelos capões dos campos de cima da Serra, especialmente na atual Estação Ecológica do Aracuri.

De toda a área protegida na estação calcula-se que 35% estão em mata, somente parte dela considerada virgem, onde foram mínimos os dados causados pelo homem. O número de pinheiros da reserva é estimado em próximo de 20 mil com mais de 20 centímetros de espessura, mas são milhares os novos, que estão se formando no meio das árvores e vegetação rasteira. A maior parte da estação é ocupada pelo que, no campo, se denomina de vassoural, onde normalmente se colocaria o gado a pastar. No restante, com uns oito hectares no máximo, existem banhados, as áreas preferidas pelas capivaras, que já integram um bando de algumas dezenas.



segunda-feira, março 15, 2010

Paraísos Ecológicos: Lagoa do Peixe

Restaurante para os pássaros do continente



Imagine um enorme restaurante, aberto com qualquer tempo e a qualquer hora. Isto é o que a Lagoa do Peixe é para os pássaros, vindos tanto da Patagônia como das proximidades do Círculo Polar Ártico, do outro lado do mundo. Visitar esse lugar é a oportunidade para conhecer um lugar muito bonito e quase inexplorado, e de encontrar, entre outras aves, os belíssimos flamingos.

A Lagoa do Peixe está situada no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, que tem uma área total de 34,3 mil hectares, na estreita faixa situada entre o mar e a Lagoa dos Patos, no litoral sul do Rio Grande do Sul. Tem um comprimento aproximado de quarenta quilômetros, e um perímetro de cerca de 160 quilômetros, incluindo, na verdade, uma sucessão de pequenas lagoas (cerca de dez), interligadas por estreitos canais, abrangendo áreas dos municípios de São José do Norte, Tavares e Mostardas.

A sua largura não ultrapassa mil metros, sendo cercada, do lado da costa, por dunas com areias movediças, e do lado da lagoa dos Patos por banhados, campos e mais dunas. Sua profundidade atinge no máximo oitenta centímetros quando é maior o acúmulo de águas, o que acontece geralmente durante o inverno e a primavera.

Durante a maior parte do ano, é uma lagoa de água salgada. Mas, quando chove bastante, suas águas ficam salobras. Essa mesma chuva, entretanto, faz com que o quadro termine por se inverter. O grande volume de águas na lagoa rompe a pequena barra de menos de cem metros que a separa do mar, e abre-se um canal que permite a comunicação com a água do mar.

Durante a maré alta e nos dias de vento sul, a água do mar entra na lagoa. Como está acima do nível do mar cerca de sessenta centímetros, quando o nível das águas se reduz, a água salgada fica retida. E a lagoa fica hipersalina, à medida que a água vai evaporando.

E é nessa dança entre mar e lagoa que está o grande atrativo para as aves. Pois com as águas do mar, entram também na lagoa milhares de moluscos e algas. Quando as águas ficam baixas, principalmente na primavera e até o início do verão, fica fácil, para as aves, capturar moluscos no seu fundo lodoso.

É justamente nessa época que chegam milhares de aves do Hemisfério Norte, entre elas inúmeras espécies de maçaricos, o trinta-réis e diversas batuíras. Essas aves procriam nas partes mais frias da América do Norte, e migram para o sul durante o inverno boreal, seguindo, algumas delas, até o sul da Argentina.

Não é uma viagem fácil. São trechos de quinze a vinte mil quilômetros, sem escala, voando dia e noite. Com isso, as aves queimam qualquer reserva de gordura que tenham. E, quando chegam na lagoa do Peixe, precisam comer continuamente, para recompor suas forças e seguir para a Argentina. No início do outono, quando voltam para a América do Norte, uma nova parada irá garantir as forças necessárias para a viagem. Em ambas as paradas, comem o máximo que conseguem, dia e noite. É uma visão impressionante, grupos de dez a doze mil maçaricos procurando, avidamente, por seu alimento. É por isto que alguns moradores da região costumam brincar, dizendo que ali está "o maior restaurante de beira de estrada do mundo".

Mas o restaurante de beira de estrada também recebe visitantes mais "nobres", cujas penas são um dos enfeites preferidos dos barões e duques do carnaval. São os flamingos, que estão na lagoa durante o inverno, chegando em meados de maio e ficando até o final de julho.

Muito antes de se falar em Mercosul, esses pássaros já praticavam a integração. Eles vêm das regiões mais frias do sul da Argentina, ou de regiões próximas aos Andes, inclusive do Chile. Eles preferem ficar defronte à barra da lagoa, onde as águas são muito rasas, tornando fácil a captura de moluscos. Esse é o único ponto do estado onde ocorrem em grandes bandos. Com sua plumagem rosa avermelhada, em grupos formados por centenas de indivíduos, parecem uma pintura impressionista ao nascer ou pôr-do-sol.

Mas, quando se alimentam, deixam de ter qualquer aspecto poético e passam a ser muito engraçados. Eles encostam o bico na areia, e giram em volta dele caçando os moluscos com as patas.

Como chegar


De Porto Alegre a Tavares, defronte à Lagoa do Peixe, são 226 quilômetros. Para quem vai iniciar a viagem na Capital, a melhor alternativa é seguir pela RS-040 até a localidade de Capivari, num total de 75,5 quilômetros. A partir dali, segue-se pela antiga Estrada do Inferno (atualmente BR-101) até Mostardas e Tavares, num total de 150,5 quilômetros (clique aqui para ver um mapa). Em Mostardas, uma boa oportunidade - comprar um dos famosos cobertores e ponchos de Mostardas, feitos com lã e de forma artesanal, capazes de resistir ao mais duro minuano.

Em Mostardas há a opção de se pegar uma estrada secundária e seguir pela praia até a Lagoa. Também se pode ir até Tavares, situada cerca de 30 quilômetros depois de Mostardas, e de lá ir até à Lagoa, a poucos quilômetros. Se a coragem for muito grande e para quem tem um carro alto com tração nas quatro rodas, dá para continuar a viagem pela Estrada do Inferno, depois de visitar a Lagoa do Peixe, até São José do Norte e de lá passar para Rio Grande.

No entanto, atenção. Nesse trecho - Tavares até São José do Norte - não há propriamente uma estrada. O que há são caminhos entre as dunas. Quem não quiser passar horas atolado, terá que ter um veículo adequado. Mas a paisagem é inesquecível. Especialmente quando as cinésias - pequenas margaridas amarelas - cobrem as dunas, formando um tapete amarelo.

Crédito da Foto: Renato Grimm





quinta-feira, março 04, 2010

Paraísos Ecológicos: Estação Ecológica do Taim

A vida no paraíso



Escuta-se o grito ao longe: é alto e estridente. O do macho corresponde mais ou menos a tahã, enquanto o da fêmea é mais compreensível -- tahim, tahim.

Tachã, é a sua denominação geral. Embora alguns digam que os primeiros exemplares migraram do Uruguai, esta teoria não tem unanimidade. Essa ave, pouco maior que uma galinha, mas imponente e arisca, é da própria região. Dos banhados do Taim, cuja denominação teria se originado do grito da fêmea.

A outra versão para a origem do nome desses banhados vincula-se a seus antigos ocupantes, os índios. Contam as lendas que havia uma deusa, de nome Itaí, que, popularizado, terminou se transformando em Taim.

Cadeia Alimentar

A Estação Ecológica do Taim é estratégica para o equilibrio ambiental em todo o continente. Os seus banhados são utilizados para alimentação e reprodução de aves tanto do Hemisfério Norte quanto do extremo-sul da América. Veja por que aves de vários pontos do continente procuram o Taim:

O lôdo, limo e algas dos banhados e lagoas, servem de alimentação para um caramujo conhecido como pomácea. Este caramujo, por sua vez, serve de alimento para diversas aves, como o marrecão, que vem, a exemplo do cisne-do-pescoço-preto, dos lagos gelados da Patagônia. E também a alguns mamíferos.

As aves, que também se alimentam de pequenos peixes das lagoas e até dos filhotes de capivaras e ratões do banhado (caso do gavião carcará), servem, por sua vez, de alimento para outros animais, entre os quais o gato palheiro, graxaim, mão-pelada, que disputam o mesmo espectro de animais com outros carnívoros, como o furão, zurrilho, jacaré-do-papo-amarelo, os gaviões cara-cara, chimango do mangue e com o corujão e a coruja branca de igreja, entre outros.

As Aves do Taim


Com seus ecossistemas muito equilibrados, o Taim é, em todo o sul do país, um dos lugares mais importantes para a preservação da flora e da fauna do continente.

Num cadastramento realizado nos anos de 1985 e 1986 pelas Universidades Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e de Santa Maria e a Fundação Zoobotânica, verificou-se que vivem em seus banhados e campos ao menos 211 aves, das quais 50 migratórias. Dessas, 10 procediam do sul do continente, entre flamingos, marrecas, passarinhos diversos, o gavião cinza e o cisne-do-pescocó-preto.

Do Hemisfério Norte (Canadá e Estados Unidos), procediam 27: falcão peregrino (que percorre longas distâncias pelo mundo afora), diversos maçaricos, gaviões e a marreca colorada, além de tesourinhas e cinco espécies de andorinhas.

Foram encontrados ainda 59 répteis, incluindo jacarés (sendo mais popular o do papo amarelo), cobras, lagartos e minhocões; 26 anfíbios (sapos, rãs, pererecas e outros); 37 mamíferos, como as capivaras ou capinchos, ratões, preás, gambás e outros roedores; e mais 50 variedades de peixes.

Os peixes do Taim

O peixe-rei, jundiá, viola, um tipo de tainha que somente ocorre na lagoa Mangueira, que chega a ter quinze quilos; e a traíra, que chega a cinco e seis quilos (um peso excepcional para um peixe como esse), são os principais peixes do Taim.

Como é uma região sem nascentes de águas (as águas das chuvas são escoadas para as lagoas através dos banhados e canais das fazendas), na época da piracema alguns tipos de peixes como o curimatá, branca ou tambico (carnívoro e que come os demais), lambaris e algumas traíras, sobem os canais por onde a água das chuvas ou das lavouras de arroz é escoada para as lagoas, e terminam morrendo nos campos, onde os banhados acabam.

Por algumas vezes tentou-se colocar esses peixes em sacos, devolvendo-os às lagoas, mas o resgate foi inútil, porque o processo era repetido. A seleção natural, nesses casos, tem como instrumento o próprio instinto que procura assegurar a sobrevivência da espécie; esses peixes fazem a piracema, subindo a correnteza até as nascentes, para exercitar-se, procurando amadurecer a ova antes de seu lançamento nas águas, para o nascimento dos alevinos. Como não existem nascentes, eles ficam presos nos banhados rasos, como se estes fossem uma rede. Somente alguns conseguem voltar, e outros procriam nas próprias lagoas, o que garante a grande piscosidade de suas águas.

Os capões

Embora predominem os campos e os banhados, também existem no Taim alguns capões de mata natural e de eucaliptos. Nesses capões, a vegetação de maior porte é acompanhada de orquídeas, bromélias, líquens, musgos, além de fruteiras como o araçá, pitanga e a figueira.

Pássaros pequenos, como o príncipe, cardeal e a pomba, vivem ali, onde o graxaim e as cobras também fazem suas tocas e procriam.

Outros animais, como o gato do mato, percorrem essas áreas. Infelizmente, onde se vê muito gato do mato, uma espécie em extinção, é na beira da rodovia asfaltada BR-471, que liga Rio Grande ao Chuí: mortos, atropelados pelos carros, que normalmente passam em alta velocidade.

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